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terça-feira, 21 de junho de 2011

ARTE AFRICANA - ESCULTURA



   As esculturas, na arte africana, tiveram uma função semelhante à das máscaras. Apesar disso, encontraram-se também amostras de uma arte representativa, como alguns retratos intencionalmente naturalistas de reis e membros das cortes de certas nações, nas quais ocorreu uma organização mais parecida com a das monarquias ocidentais. As sociedades de religião animista realizavam um tipo de escultura cuja função era substituir os membros falecidos da família.

   As figuras de culto com fins mágicos, que a exemplo dos relicários abrigavam uma diversidade de objetos, eram uma espécie de Assemblages especialmente realizadas por bruxos, seguindo uma fórmula específica. Os povos politeístas, como os yorubas e os binis, modelaram peças de grande valor, em marfim, ouro e bronze, de um desenho singular, muitas delas encomendadas pelas cortes européias. Quanto à técnica, os africanos utilizaram o processo da cera perdida um século antes dos europeus.

   As obras de arte mais comuns obtidas por esse processo eram bustos e cabeças, como as do tesouro do rei de Benim, saqueado no século XIX pelas tropas inglesas. Foi dessa forma que chegou até a Europa grande parte das esculturas de marfim, ferro e bronze. As figuras eram de um naturalismo surpreendente, e nelas podiam ser vistos muitos dos costumes rituais desses povos. No entanto, quando não eram figurativas, apresentavam então traços estilísticos muito diferentes, que refletiam a liberdade criativa de seus artistas.

   No que se refere à ourivesaria, um dos povos que melhor trabalharam nessa área foram os aschantis , já que o ouro abundava em suas terras. Esse povo produzia peças de um preciosismo e uma delicadeza surpreendentes na técnica da filigrana. A eles seguem-se os nativos da Costa do Marfim. Estes, além de peças religiosas, produziram obras com fins decorativos, entre elas máscaras muito naturalistas de personagens legendários, que eram utilizadas numa cerimônia de caráter muito parecido com uma representação teatral.




ARTE AFRICANA - MÁSCARAS



   As máscaras sempre foram as protagonistas indiscutíveis da arte africana. A crença de que possuíam determinadas virtudes mágicas transformou-as no centro das pesquisas. O fato é que, para os africanos, a máscara representava um disfarce místico com o qual poderiam absorver forças mágicas dos espíritos e assim utilizá-las em benefício da comunidade: na cura de doentes, em rituais fúnebres, cerimônias de iniciação, casamentos e nascimentos. Serviam também para identificar os membros de certas sociedades secretas.

  Em geral, o material mais utilizado foi a madeira verde, embora existam também peças singulares de marfim, bronze e terracota. Antes de começar a entalhar, o artesão realizava uma série de rituais no bosque, onde normalmente desenvolvia o trabalho, longe da aldeia e usando ele próprio uma máscara no rosto. A máscara era criada com total liberdade, dispensando esboço e cumprindo sua função. A madeira era modelada com uma faca afiada. As peças iam do mais puro figurativismo até a abstração completa.

   Quanto à sua interpretação, a tarefa é difícil, na medida em que não se conhece sua função, ou seja, o ritual para o qual foram concebidas. Os colonizadores nunca valorizaram essas peças, consideradas apenas curiosidade de um povo primitivo e infiel. Paradoxalmente, a maior parte das obras africanas encontra-se em museus do Ocidente, onde recentemente, em meados do século XX, tentou-se classificá-las. Na verdade, os historiadores africanos viram-se obrigados a estudar a arte de seus antepassados nos museus da Europa.